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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Souvenirs de Penha Garcia


Ainda a propósito da passagem por Penha Garcia, hoje quero destacar as três lembranças que de lá trouxe.

Na manhã de Sábado Aleluia havia feira na terra. Lá descobri à venda esta variedade de feijão. Trata-se de feijão bago-de-arroz, substancialmente mais pequeno e redondinho. Dispensa ser demolhado e coze muito mais depressa do que os feijões normais... É uma espécie tradicionalmente cultivada na Beira Baixa, que eu trouxe para experimentar na panela e na terra.

A  planta que vêem na foto é carqueja. Originária do Brasil, cresce de forma silvestre e conta com inúmeras propriedades medicinais, entre as quais se destacam o auxílio na digestão, na eliminação de toxinas e na perda de peso. Trouxe um ramo para a provar em chá.

Por último, uma boneca da Dª.Cândida, que vos apresentei no post anterior. As bonecas tradicionais de Penha Garcia e de Monsanto são de pano, feitas em cruz, com o rosto "vazio", i.e., sem olhos nem boca e associadas à fertilidade nos casamentos. Esta, sem carga simbólica, é no entanto bem representativa do que há de mais puro e cândido no artesanato nacional.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Manteiga de salva


Por respeito a um dos nossos instintos mais básicos, a fome, e a todos aqueles forçados a suportá-la, ou que sob o seu peso sucumbiram, evito dizer "não gosto" ou "não como isto ou aquilo"... Porém, também me facilita muito a vida ser saudável e "boa boca"... tenho poupado tempo e dinheiro!
Prefiro salgados a doces e não me nego a fritos e gorduras, cingidos, claro à faixa da contenção. Como tal, são poucos os dias em que não como uma fatia de pão, torrada ou não, com manteiga.
Já há tempos lembrei-me de acrescentar uma mais-valia ao petisco. Porque não refinar o sabor, juntando-lhe alguma erva aromática?

(A salva é tida por diversos povos como uma planta sagrada. Eficaz no combate de inflamações da boca e garganta. Em chá é tónico digestivo e equilibra o sistema nervoso. Desaconselhada a gestantes e lactantes.)

Não passou de ontem. Fui à horta, colhi uns raminhos de salva (ena, planta resistente que nem  gelo, nem calor a esmorecem!) e na tábua da cozinha, piquei-a o mais possível. Do pacote da manteiga retirei umas colheradas e com as mãos envolvi com a erva picada. Ficou uma pasta sarapintada que imediatamente provei e depois enfrasquei. Acho que a manteiga fica mais leve, saudável e menos monótona.
Porque não experimenta com esta, ou com outra erva?!

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(Dez dias depois...) 
Deixei o frasco fora do frigorífico e comecei a notar um cheiro menos agradável na manteiga.
Aconselho a não fazer grande quantidade, a guardar no frigorífico, por alguns dias, ou então a secar a planta antes de a juntar à manteiga. A humidade da erva fresca ao ser adicionada à manteiga, pode não ter bom efeito a médio/longo prazo...)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Espargos selvagens

Antes de vir viver para o Alentejo não sabia identificar uma espargueira e jamais tinha colhido um espargo selvagem. No entanto, pouco tempo depois de cá estar, logo descobri que esses pequenos arbustos crescem em terras não lavradas e onde vingam melhor é à beira de muros antigos e de oliveiras retorcidas.
Neste fim de semana apeteceu-me tomar um banho desta invulgar luz de Janeiro. Agarrei num cestinho de verga e convidei uma das cadelas para ir comigo. Nem respondeu; pôs imediatamente as patas ao caminho, não estivesse ela convencida que a sua missão de vida é ser minha body guard...



Para apanhar espargos é preciso não ter pressa.
Tem que se olhar com atenção para a espargueira, pois os seus rebentos podem estar "camuflados" e depois cortar as pontas mais tenras. Assim, lentamente, vai-se compondo o cesto.
Desta vez andei cerca de uma hora e meia na colecta, mas valeu a pena porque consegui uma boa quantidade, da qual fica esta pequena amostra...

( Legume muito completo, rico em vitaminas, fibras solúveis, ácido fólico e protector do sistema cardiovascular)


Os espargos renderam dois jantares: no primeiro fi-los com ovos mexidos e no seguinte juntei-os a uma açorda simples. Frescos, deliciosos e revigorantes... destes duvido que os haja em qualquer restaurante caro da cidade...

domingo, 7 de agosto de 2011

Óleo de Flores Silvestres


Ontem, enquanto me ocupava deste preparo, deixei-me ficar bem caladinha e ouvi a conversa que se segue. Conto-vo-la, porque em momento algum  foi pedido segredo.

_ Oh!!...Primas Camomilas!! Que surpresa ver-vos também por aqui?
_ Primas Calêndulas!! Ora vivam! Que bom encontrar-vos!
_ Há quanto tempo não nos víamos!!...Desde aquela manhã  de Primavera em que Ela saiu de casa, de cesto de verga na mão e nos colheu da terra...
_ ... E ao chegar a casa, atou-nos em molhos e pôs-nos a secar dentro de caixas grandes...
_ Pois foi! Aí estivemos cerca de dois meses...De vez em quando lá vinha Ela virar-nos, ora para um lado, ora para o outro.
_ Sim, mas depois fomos separadas. A nós, Camomilas, Ela colocou-nos dentro de um saco de papel e a vocês, Primas Calêndulas, noutro. Há tempos que não sabíamos novas vossas...
_ Afinal, quis o destino que nos voltássemos a encontrar. Aqui estamos dentro do mesmo frasco,mergulhadas em óleo de amêndoas doces!
_ Para dizer a verdade, achávamos que íamos parar à cafeteteira do chá, mas ainda bem que não!Olha,sabes o que a Avó Camomila A ouviu dizer?
_ Não.Conta, conta!
_ Que vamos ficar aqui juntas um mês.E que Ela todos os dias vai pôr o frasco ao Sol e deixar o óleo macerar...
_ Ah! Agora compreendo porque me sinto tão quentinha!
_ Sim, aqui aconchegadas e ao calor do Sol,dá-nos tanta moleza!
_ Concordo, primas. Acho que vamos dormir uma soneca.
_ Isso,isso! Durmamos, primas. Descansemos...

(To be continued in a month aproximately...)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Piso de coentros


O calor puxou  tanto por eles que estavam a começar a espigar; se os queria aproveitar teria que os apanhar com urgência.
Para conservar coentros só conheço duas maneiras: picá-los e congelá-los  -Mas ainda há duas caixas no congelador! :(  - ou fazer este "piso, que resulta num tempero pronto a utilizar em qualquer altura do ano e que era o usado antes de haver frigoríficos.

Começa-se por separar os talos dos coentros e cortá-los grosseiramente para dentro de um recipiente.
Descascam-se alguns dentes de alho, os quais se moem num almofariz, com sal a gosto.


Numa picadora deita-se um bocado de azeite, acrescenta-se os coentros e a mistura de sal e alho.
Tritura-se rapidamente, de forma a que os coentros fiquem moídos mas não completamente desfeitos.

Deita-se para um frasco de vidro, mexe-se com uma colher e cobre-se com azeite. (É importante a mistura estar sempre coberta com azeite, de modo a não desenvolver bolores à superfície.)
Guarda-se num armário ou no frigorífico, onde fica a jeito de utilizar em "receitas de coentrada"... algumas das quais hei-de partilhar aqui um dia destes. Prometido! :)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sopa de Beldroegas


A terra fá-las renascer em Junho. Estendem-se sem pedir licença, por entre as fileiras das cebolas e das abóboras e seria um pecado não as aproveitar!

Uso-as no arroz, cruas nas saladas ou como verdura nas sopas de legumes; mas quando tenho pouco tempo elas dão imenso jeito porque  com 5 ingredientes e em 15 min. faço esta sopa:

(Receita para 2 pessoas)
Cortar às rodelas (tendencialmente finas) 2 batatas. Reservar.
Pôr algum azeite no fundo de um tacho e laminar uns 3 dentes de alho lá para dentro, deixando fritar ligeiramente. Adicionar as rodelas de batata no azeite para tomar o gosto (2/3 min.) e ir mexendo a fim de não pegar ao fundo. Temperar com sal e pimenta q.b.
Cobrir as batatas com água e, ao começar a ferver, juntar uma boa quantidade de beldroegas, baixando o lume para o mínimo. Coze em 10 min.
Cortar alguns cubinhos de queijo de cabra (meia cura) e juntar à sopa. Deixar repousar uns 5 min. antes de servir para que o caldo absorva o sabor do queijo.

Ouvi de passagem esta receita já há muitos anos, enquanto andava às compras no mercado semanal da Malveira. Quem a explicava, dizia que era assim que os Alentejanos faziam a sopa de beldroegas.
Fixei-a, experimentei-a e agora que cá estou, repito-a todos os Junhos!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Borragem dá coragem!


Até podem julgar que não conhecem esta planta, mas o mais provável é que simplesmente não tenham reparado bem nela, crescendo junto a muros, ruínas ou descampados. É uma planta com folhas verde-acinzentadas, oblongas e cobertas de pêlos brancos. Ao colhê-la (em particular, as maiores) nota-se que o caule é oco, mas o que dá mais nas vistas são as pequenas flores em forma de estrela e de um azul anilado, que desabrocham no início da Primavera.

Como servi-la no prato?
Podem picar as folhas, juntá-las às saladas e inclusivé colori-las com as florinhas azuis (comestíveis!).
O que desta vez optei por fazer foi fritá-la. No livro A Portuguesa de Nápoles de Enzo Striano, li que era servida assim, como petisco, numa taberna da cidade.

É fácil de preparar. Dividi a planta em pedaços e fiz um polme de farinha e água com gás ( não deve ficar nem muito líquido, nem muito espesso), onde mergulhei esses bocados que depois fritei por dois minutos, virando a meio.
Para acentuar o sabor, ao servir, molha-se o frito num pouco de molho de soja.


(Muito rica em cálcio e sais minerais, a borragem possui qualidades diuréticas, expectorantes e anti-inflamatórias)

...Ah, e  o porquê do título?
É que antes de partirem à conquista de novos territórios, os guerreiros Celtas bebiam infusões desta planta e borrach  (bravura), foi o nome com que a baptizaram !