terça-feira, 1 de maio de 2012

Taleigo alentejano (verde & lilás)


Como estou a mostrar pela ordem que foram feitos, é este que deve aparecer em segundo lugar. Ligeiramente mais pequeno, mas por levar retalhos mais pequenos, mais trabalhoso também...
Tal como no anterior apliquei nas extremidades umas borlas em lã  - fáceis de fazer :)- e que completam a moldura. 
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Taleigo alentejano (azul & vermelho)


Aos sacos de pano só ouvi chamar-lhes "taleigos" ou talêgos depois de ter vindo para o Alentejo. No Oeste e na zona de Lisboa nunca ouvi o termo; eram simplesmente os "sacos do pão, da farinha, do feijão ou do grão".
Entretanto chegaram os tempos modernos e substituíram-nos pelos sacos de plástico ou papel, que se comparados com os tradicionais taleigos feitos com retalhos diversos, ficam em tudo a dever à graça.

Há décadas era o que se usava para levar a merenda para o campo ou para guardar em casa alimentos secos e pequenos objectos. A meu ver, faz todo o sentido manter essa sua função utilitária; é que servem para pôr quase tudo, em especial aquilo que tem tendência para andar espalhado por aqui e por ali...


De hoje e até 5ª-feira, passo a mostrar-vos os quatro taleigos que fiz, destinados a uma loja em Mora, que vende pão alentejano, azête, bolêmas, quêjos e demais alentejanices. 
Tenho a certeza que por lá, também os talêgos se  hão-de sentir em casa!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O dia das cortinas



Já lá vai algum tempo que me encomendaram umas cortinas para um monte alentejano. Confiaram no meu gosto, não me deram prazo, nem pressa, apenas os tons -azuis- e as medidas do vão da janela.
O primeiro par foi feito e entregue pouco depois, mas as semanas iam desfilando e os tecidos escolhidos para o segundo permaneciam dobrados e arrumados no seu canto, mas não esquecidos...
... até que chegou o seu dia! Reservei o feriado, a meio da semana, para voltar a pegar nas cortinas e pelo fim do dia a empreitada estava terminada.
Balsâmica, esta sensação de compromisso cumprido!




quarta-feira, 25 de abril de 2012

O leilão


Todos os anos, no dia 24 de Abril, a Coudelaria de Alter do Chão leva a cabo o tradicional leilão equestre aberto ao público e onde, mediante inscrição prévia, se pode apreciar e licitar os exemplares à venda. Este ano eram 25 os cavalos puro sangue que desfilaram no picadeiro, 14 fêmeas e 11 machos. Nunca tinha presenciado um leilão desta natureza, mas este ano decidi ir. Não por causa dos cavalos, nem por ser um acontecimento social único que atrai centenas de visitantes a Alter do Chão, antes pela novidade deste ano  no leilão: iria à praça um dos burros nascidos e criados na Coudelaria.


Inscrevo-me como licitadora no secretariado e entregam-me a raquete nº 28. Informam-me que cada vez que a levante, estarei a fazer uma oferta de mais 100€.
Primeiro desfilam todas as fêmeas; o burro há-de vir no intervalo. Estou com pressa e a primeira parte parece demorar eternidades... até que por fim chega o ponto alto!
Já o tinha ido ver ao estábulo e mesmo ao longe reconheço aquelas orelhas peludas e espetadas. Vem a passo, à guia, trazido por três jovens. Na primeira volta que dá ao recinto decide travar em frente da bancada do público e começar a zurrar. Ondas de riso!

É anunciado o seu preço base de licitação, 400€. Estou decidida a oferecer 500€ na esperança de que mais ninguém esteja interessado. Passa um minuto ou dois, mas há quem levante a raquete para os 600€... 700€... e acaba arrematado por 800€.
Levanto-me e vou até ao secretariado. Venho entregar a raquete, o animal que pretendia já foi vendido, obrigada! 
Fiz bem... dar mais de 500€ por um burro, mesmo de linhagem, não seria um bom negócio.

Ainda não foi desta vez que concretizei um sonho. Será doutra.
Por enquanto, fico apenas com o burro Platero, um dos protagonista das curtas e rendilhadas histórias de Juan Ramón Jimênez, passadas numa aldeia andalusa, onde a vida corre tão simples quanto o pode ser.
É o que ando a ler aos serões.





domingo, 22 de abril de 2012

Canja de lentilhas


Extremamente ricas em fibras e em ferro, auxiliadoras das funções digestivas e cardiovasculares, as lentilhas são leguminosas baratas, bastante versáteis, fáceis de cozinhar, porém pouco conhecidas pelas gerações actuais e ainda menos consumidas no nosso país. Confesso que nunca mas apresentaram sob que preparação fosse em nenhum restaurante ou em jantares em casa de amigos ou familiares.
Na dispensa tenho quase sempre um pacote delas em uso. Conheço as verdes (maiorzinhas), e outras castanhas ou laranja, mais pequeninas e ainda mais rápidas de cozer.

Para esta canja de lentilhas utilizei as verdes, que beneficiam se forem postas de molho uma meia hora antes de serem cozinhadas.


Interessada em experimentar uma sopa nova?
Siga então, esta receita simples.

Depois de lavar e demolhar as lentilhas, coloque-as num tacho com água, metade de um alho francês, metade de uma cebola,outra metade de cenoura, uma folha de louro e coza durante 30 min. Vá olhando para não cozer demais e as lentilhas não se desfazerem.

Depois de todos os ingredientes estarem cozidos, retire brevemente do lume e tempere com azeite, sal e pimenta.

Leve de novo ao lume, acrescentando umas colheradas de massinha pevide até esta cozer.

Imediatamente antes de servir aromatize a canja com uma colher de sopa de vinagre de sidra e um raminho de hortelã, se for a seu gosto.

(...Eu bem disse que hoje alimentava o blog!...)

sábado, 21 de abril de 2012

Em falta...


...pois estou!
Há quase uma semana que não alimento o blog, não vejo o e-mail, não leio outros blogs, nem abro a minha página do FB !
A semana  que passou foi esgotante; muito por culpa de lãs e tecidos, das agulhas de coser e tricotar, mas principalmente pela minha incapacidade de, em nesgas de tempo, resistir a experimentar novas ideias, mesmo quando tenho compromissos com prazos a cumprir...

Tomorrow I'll feed the blog properly. Tomorrow, I promise.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Retalhos & Poesia


Há algumas semanas encomendei à Versacraft, alguns carimbos para tecidos, entre os quais um alfabeto completo. No passado fim de semana arranjei tempo para experimentar as letras-carimbo e tive uma ideia, que me pareceu ...mesmo boa!
Para não fugir à tradição alentejana, a ideia consistia em fazer taleigos em retalhos e aplicar-lhes uns dizeres típicos dos compadres. Escolhi uma quadra humorada do cancioneiro alentejano e, letra a letra, lá fui carimbando.


Sem dúvida que o poema nos faz sorrir e aqui está o resultado final...



Gostam?
Eu nem por isso...Não será uma união feliz, esta dos retalhos e das letras...São miudezas demais à mistura que causam alguma contradição estética...

Bem, mas não pensem que o taleigo vai ficar escondido na gaveta...Já está pendurado na cozinha e lá estão guardadas as ervas que vou colhendo e secando para fazer os meus chás...




Afinal, este mundo é para todos, para os mais e para os menos bonitos!