segunda-feira, 19 de março de 2012

Cidade


Julgo que se me puser a contar pelos dedos das mãos os dias do ano em que vou a Lisboa, hão-de sobrar alguns, e quando vou é com algum propósito mais urgente, do que o lazer por si só.
Fui lá há poucos dias. Actualmente gosto de ir à cidade. Quando lá estudava e me via obrigada a conviver com ela  de Segunda a Sexta, era outra história. Só queria ver-me longe dali! Preferia andar às curvas e contracurvas nos autocarros da Rodoviária (... ainda nem se falava na autoestrada do Oeste), duas ou três horas por dia, do que ter de lá dormir.

Entretanto, as escolhas que fiz, afastaram-me da cidade. Aliás, será mais correcto dizer que escolhi  deliberadamente aproximar-me do campo, e uma coisa leva a outra.

Se a cidade tem vantagens em relação à província? 
Claro que sim, inúmeras. As duas de topo: a cidade é o lugar onde melhor se expressa o direito à diferença e é por excelência o útero das ideias novas... algumas das quais nos fazem sorrir! :)

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(Entretanto, para quem leu o post da "Manteiga de Salva" e está interessado em experimentar, é melhor voltar a ele e ler as actualizações que acabei de pôr no fim...)

sexta-feira, 16 de março de 2012

PatchWords


Hoje trago para o blog um novo dossier.
Na lombada diz Patchwork e servirá para arquivar os posts sobre esta técnica de costura.
Recuando na linha do tempo, até à minha infância, associo-lhe agora dois interesses que então tinha. O interesse por puzzles e por trapinhos que a Dª. Maria Júlia -a costureira da minha mãe- me dava, quando íamos às provas. Afinal, patchwork é isso mesmo, fazer um trabalho de montagem/construção, a partir de retalhos, dando um "sentido" e um equilíbrio ao todo.
Há dois pilares nesta técnica milenar e são eles que me atraem em particular.
O primeiro é o princípio utilitário da reciclagem de materiais, de sobras de tecidos ou de roupas em desuso, que à primeira vista só fazem sentido a encher o caixote do lixo, mas que podem efectivamente vir a dar corpo a mantas, almofadas, sacos, malas, novas peças de vestuário, etc, etc...


O segundo é o da conjugação das cores, ou seja, da possibilidade infinita de criar padrões harmoniosos e que podem ser conseguidos independentemente de usarmos tons claros ou escuros, tecidos lisos ou estampados, às flores, às pintas ou às riscas.
A meu ver isto é o essencial do patchwork , o que o tem feito passar  através dos séculos e perdurar até à actualidade. Tudo o resto, técnicas, moldes e acessórios de costura usados na sua confecção, embora facilitadores, são secundários ou complementares.


As três fotos deste post são de mantas feitas pela minha avó Clementina. Tinha para lá dos 70 anos quando se iniciou e usava apenas uma tesoura para cortar -a olho- as roupas antigas e os tecidos dados pelas vizinhas e pedalava na sua Singer para os coser uns aos outros.
Sem grande rigor, bem sei, mas nelas ficou todo o seu cunho artístíco...


quarta-feira, 14 de março de 2012

Saídos da casca


Porque será que o tempo se esvai quando nos detemos a olhar a Vida pequenina?



(Repararam, na primeira foto, no pretinho lá atrás?)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Manteiga de salva


Por respeito a um dos nossos instintos mais básicos, a fome, e a todos aqueles forçados a suportá-la, ou que sob o seu peso sucumbiram, evito dizer "não gosto" ou "não como isto ou aquilo"... Porém, também me facilita muito a vida ser saudável e "boa boca"... tenho poupado tempo e dinheiro!
Prefiro salgados a doces e não me nego a fritos e gorduras, cingidos, claro à faixa da contenção. Como tal, são poucos os dias em que não como uma fatia de pão, torrada ou não, com manteiga.
Já há tempos lembrei-me de acrescentar uma mais-valia ao petisco. Porque não refinar o sabor, juntando-lhe alguma erva aromática?

(A salva é tida por diversos povos como uma planta sagrada. Eficaz no combate de inflamações da boca e garganta. Em chá é tónico digestivo e equilibra o sistema nervoso. Desaconselhada a gestantes e lactantes.)

Não passou de ontem. Fui à horta, colhi uns raminhos de salva (ena, planta resistente que nem  gelo, nem calor a esmorecem!) e na tábua da cozinha, piquei-a o mais possível. Do pacote da manteiga retirei umas colheradas e com as mãos envolvi com a erva picada. Ficou uma pasta sarapintada que imediatamente provei e depois enfrasquei. Acho que a manteiga fica mais leve, saudável e menos monótona.
Porque não experimenta com esta, ou com outra erva?!

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(Dez dias depois...) 
Deixei o frasco fora do frigorífico e comecei a notar um cheiro menos agradável na manteiga.
Aconselho a não fazer grande quantidade, a guardar no frigorífico, por alguns dias, ou então a secar a planta antes de a juntar à manteiga. A humidade da erva fresca ao ser adicionada à manteiga, pode não ter bom efeito a médio/longo prazo...)

domingo, 11 de março de 2012

Meias de Bébé & Embalagem


Para não ter de pagar os custos da próxima semana ser demasiado carregada, agendei para este fim de semana alguns deveres domésticos e profissionais e apliquei-lhe o ditado popular "Primeiro a obrigação, depois a devoção"... só que invertido!
Foi por isso que o dia de ontem, Sábado, foi passado a fazer este saquinho em patchwork e acabar as meias do P., aqui mais conhecido por Marauzinho. 



Quanto às meias, as primeiríssimas que tricotei para bébé com o que sobrou de lã das minhas, ficaram mimosas, como o são quase todas as roupas pequeninas. 
De início, ao tricotar, a sensação foi estranha...Como as meias se tricotam em círculo, com cinco agulhas, e o círculo neste caso é bem pequeno, senti-me como que obrigada a dançar a valsa num metro quadrado, porém passadas algumas carreiras lá me habituei a manejar as agulhas num espaço reduzido.

Quanto ao saco, fi-lo com retalhinhos que vou juntando . O efeito é como se tivesse costurado triângulos uns aos outros, mas acreditem que não. Fazem-se quadrados que se cosem e cortam a meio e daí resultam os triângulos. 
Enfim, pura geometria aplicada!



Agora tenho de ir. É Domingo, não apetece, mas as obrigações já reclamam a sua vez!
See you soon! ;)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Colheita do dia



A propósito da palavra colheita, no título, fiz uma pesquisa sobre as máximas em que o povo a emprega.

Das dezenas que li, transcrevo quatro pouco conhecidas, mas nem por isso menos úteis ou sábias.


"Reza por uma boa colheita, mas não deixes de sachar." 
Provérbio Esloveno


"Na altura da sementeira as visitas vêm sozinhas; na da colheita, aos magotes" Provébio Australiano


"Podemos escolher o que semeamos, mas somos obrigados a colher o que plantamos" Provérbio Chinês


"Não escolhas a tua mulher numa festa, antes no campo, na época das colheitas" Provérbio Checo


terça-feira, 6 de março de 2012

Redescobrir

Regra geral a minha memória não me deixa ficar mal. Confio nela, mas sei que tempos recuados se encontram bastante apagados, à excepção de escassos episódios, que vá lá saber-se a razão, se tornaram delete resistant.
Uma dessas memórias prende-se com uma tarde que passei na casa da minha vizinha e amiga de infância, Edite. Eu, ela e a mãe conversávamos na cozinha, e eu junto à janela, ia fazendo o meu tricot enquanto conversávamos. Devia ter 10, 11 anos e lembro-me bem de estar a fazer uns quadradinhos em malha bago de arroz, em lã branca e rosa para  uma mantinha.
Há pouco tempo, quando reiniciei o tricot, este episódio veio-me à mente, e fiquei um pouco admirada por constatar que já não me lembrava como se fazia malha bago de arroz.
Logo me pus a perguntar a quem tinha cara de sabedor e não foi preciso esperar muito para que me esclarecessem: "É uma malha de liga, outra de meia, uma de liga, outra de meia... É só isso e fazem-se desencontradas na carreira seguinte!" - Olha, que fácil! :))


Domingo à noite marquei encontro com a malha bago de arroz.
Fiz só esta pequena amostra para ver o efeito do ponto ... e para elogiar a minha memória pela terna lembrança devolvida!