quarta-feira, 23 de março de 2011

Matéria-prima


Se na província, no campo, há muito de bom, também é verdade que nem tudo é cor de rosa.
Quem sempre viveu em terras em desenvolvimento galopante do litoral e se mudou para uma pequena localidade do interior do país, sente na pele do  seu quotidiano algumas diferenças, tal qual tivesse viajado  na máquina do tempo, vinte ou trinta anos para trás.
Não paira sobre mim a menor sombra de arrependimento, no entanto por aqui é bem mais difícil encontrar as matérias-primas que uso nos meus trabalhos. Em Portalegre só há duas casas a vender tecidos a metro; uma vai fechar no final de 2011 e a outra não é visitada pelos fornecedores há mais de um ano.
Felizmente há pouco tempo descobri a Retrosaria do João e da Gina, em Estremoz onde ainda se encontra alguma variedade de chitas portuguesas, algodões lisos e estampados, fazendas e acessórios para costura.
Comprei algumas peças, lavei-as (como faço a todos os tecidos antes de os cortar, não vá dar-se a surpresa de algum encolher!) e pu-las no estendal a secar... Se já tenho os ovos resta-me fazer as omeletes!

sábado, 19 de março de 2011

O que se faz por cá

A ideia já fazia parte dos meus planos para o Dias às Cores, mas como ultimamente houve sugestões nesse sentido, decidi acelerá-la.
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O que se faz por cá passará a ser a rubrica em que divulgarei o que de interessante se pode fazer pelo Alto Alentejo, num fim de semana ou nuns dias de férias.
Cá vai então a primeiríssima das propostas concretas que, a meu ver, pode justificar uma viagem até esta zona interior do país... que nem fica assim tão longe!

No primeiro fim de semana de Abril terão lugar dois certames anuais na região.

Feira Medieval e recriação histórica da Batalha dos Atoleiros 
Vila de Fronteira - 2 e 3 de Abril

Um fim de semana repleto de animação de rua, com malabaristas, saltimbancos, comidas e bebidas, dança e música doutros tempos.

(Foto retirada de olhares.aeiou.pt)

No Domingo à tarde poderá assistir à recriação da Batalha dos Atoleiros, travada em 1384 perto da actual vila de Fronteira, em que as tropas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira e em número bastante reduzido, expulsaram os invasores castelhanos.
O reviver de um momento em que a coragem de poucos homens foi decisiva para a independência nacional...

(Foto retirada de forumdefesa.com)

Entradas gratuitas.



XI Edição da Feira de Doçaria Conventual
Cidade de Portalegre - 1 a 3 de Abril

Pastéis de Stª Clara   (Foto retirada de netartesao.com)

Manjar Branco, Fidalgos, Toucinho do Céu, Pão de Rala, Sericaia com Ameixas de Elvas, Rebuçados de Ovo de Portalegre serão  apenas alguns dos doces conventuais que encontrará no Convento de Santa Clara, em Portalegre, daqui a duas semanas. 

Sericaia com Ameixa d'Elvas    (Foto retirada de chefesdecozinha.com)

Na cidade, e até meados do séc.XX, as religiosas confeccionavam e comercializavam deliciosas receitas conventuais, cujos segredos mantinham guardados a sete chaves e que foram transmitidos apenas a algumas doceiras que, para nosso bel-prazer, ainda os sabem!


Tecolameco    (Foto retirada de thecookieshop.wordpress.com)

Na ocasião haverá demostrações ao vivo de confecção de doces ( não conte que divulguem o segredo! ); atelier infantil "Mão na Massa"; no salão de chá, uma exposição subordinada ao tema "A Arte de Iluminar - Do Azeite ao Led" e à venda, livros com receitas de doçarias.

E pronto, depois da sugestão, só me resta desejar-vos um fim de semana doce, doce!


Rebuçados de Ovo de Portalegre  (Foto retirada de amarportugal.com.pt)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Casa de Cabeço de Vide - a cozinha


Para dizer a verdade, a remodelação da cozinha foi a que menos tempo consumiu.
Limpeza, muita arrumação e contas de subtracção aos muitos tarecos que lá viviam. Aproveitaram-se alguns utensílios em bom estado e compraram-se outros, apenas os essenciais.
É uma cozinha pequena, mas com espaço liberto, e com o necessário para quem esteja de férias e queira andar completamente ao seu ritmo, sem se sujeitar a horários de restaurantes e  ao mesmo tempo, poupar nas refeições.


As cortinas e a toalha da mesa são obra da Dona Augustinha; a minha assinatura deixei-a nesta pega, na cercadura de flores que pintei na chaminé e nesta tapeçaria em fio de algodão que teci no meu pequeno tear.



A cozinha tem uma porta para o exterior, mas como o tempo não tem ajudado para trabalhos de jardinagem, confesso que se fossemos lá fora agora, encontrávamos algumas ervas a mais...
Será tarefa para o fim de semana...Mas o quintal também há-de aparecer por aqui... Vale a pena!

terça-feira, 15 de março de 2011

Casa de Cabeço de Vide - o quarto

Meto a chave à porta e abro-a. Subo meia dúzia de degraus de pedra com o espelho caiado e, ao cimo arredo a cortina de renda para o lado. É aqui o quarto.

Cá dentro, a meio, se esticarmos o braço conseguimos tocar os barrotes de madeira inclinados do tecto que me transmitem uma sensação de aconchego...como se esta fosse uma casa de madeira isolada a meio de uma montanha nevada...
Mas não é. No Verão é abrasada pelo calor alentejano, porém as paredes grossas de pedra oferecem uma boa resistência, aliada ao (pouco estético) air condicioned que as exigências da vida moderna já raramente dispensam.


Recuperado com esmero pela Dona Augustinha, a proprietária original, o mobiliário é simples. Duas camas de ferro -de casal e individual-, um baú, duas mesas e duas cadeiras. De uma reentrância na parede fez-se espaço para arrumar roupa e bagagem e de diversos retalhos fiz este conjunto de almofadas e o coração decorativo...


À excepção da colcha da cama de casal, costurada pela Dona Augustinha, numa bela chita de Alcobaça verde e rosa que determinou os tons do quarto, o resto dos adereços foram feitos por mim. Por tentativa e erro, lá foram surgindo naperons, cortinas e almofadas que, aliados à convivência harmoniosa, transformaram a casa num lar para quem aqui queira passar fins de semana ou curtas temporadas!



Informações e reservas através de diasascores.heartmade@gmail.com

sábado, 12 de março de 2011

Desolada...

foi como fiquei hoje de manhã, quando fui soltar os animais. O ninho vazio. Dentro da cerca apenas grasnava o pato ganso. Por instantes quis alimentar a esperança que a pata gansa só se tivesse ausentado por uns momentos e que nos tivéssemos desencontrado. Procurei-a, mas o que acabei por encontrar a umas dezenas de metros, foram só algumas penas.
Se desse um impulso e voasse, sei que ela conseguiria sair da cerca e ir para o ar livre (mea culpa) e foi o que deve ter acontecido a meio da noite ou sob a manhã. Um predador de médio porte com fome por perto, e fica a história contada.

Por alguma razão ainda tem de ser assim, mas desagrada-me esta característica predatória do planeta. Todos os seres se alimentam de outros. Porque não nascem os  seres "condenados" à Terra com uma bateria de energia suficiente para o cumprimento da sua missão, dispensando esta voracidade tão  primitiva?

Voa, linda pata gansa! Voa até ao Céu!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Bolo (fácil) de Laranja


Não que eu tenha particular inclinação para doçaria, mas este como é tão simples, saiu bem à primeira. Bonito, bem cozido e delicioso!
Umas fatias foram-se a seguir ao jantar; a maior parte levei-a para oferecer a um casal de amigos com idade para serem meus avós que fui visitar!

Para quem quiser experimentar aqui ficam os passos a seguir:

Cortar uma laranja (com casca e tudo) em 4 partes e retirar as sementes.
Colocá-la no copo da varinha mágica e adicionar 4 ovos, uma cháv. (chá) de óleo e outra de açucar e passar a varinha até ficar cremoso.



Numa tigela grande, pôr 3 cháv. (chá) de farinha e uma colher sopa de fermento e juntar o preparado anterior, mexendo até obter uma massa homógenea.

Despejar para dentro de forma untada e enfarinhada e levar a cozer em forno pré-aquecido (cerca de 35 min.) Atenção: nunca abrir o forno durante os primeiros 20 min. de cozedura! 



Retirar do forno e regar com um copo de sumo de laranja.
Desenformar quando estiver frio e polvilhar com coco, a gosto.

Nós por cá acompanhamos com chá de menta!