domingo, 16 de janeiro de 2011

Pausa para café




Com o carro carregado no regresso a casa, páro para não levar mais um peso: na consciência.
O peso de, sem ter de fazer o mínimo desvio no caminho, passar pela casa da amiga Blonde e não lhe fazer uma breve visita.

Opções escolares e académicas juntaram os nossos quotidianos durante dez anos. Partilhámos professores e colegas, apontamentos e intervalos de aulas, férias lectivas, almoços na cantina e milhares de viagens de autocarro. Testemunhámos o firmar das nossas personalidades e podemos ter tido uma ou outra arrelia, mas não me lembro de nenhuma zanga ou de ressentimentos em arquivo.
A Blonde foi o elo de ligação na fase de transição do meu pequeno mundo de vila para o mundo da cidade e a idade adulta. A sua presença, como referência do meu passado, evitou saltos bruscos e facilitou-me o correr da vida!

Hoje parei o carro em frente da casa dela e dei um pouco do meu tempo. Em troca, entre dois dedos de conversa, recebi umas boas dicas, um exótico café com canela e dois abraços!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caixa de ferramentas

Na rua, quando passo junto a um caixote do lixo, geralmente abrando o passo para dar uma espreitadela, caso por ali se encontrem móveis ou outros objectos amontoados.Lá porque alguém se tenha desfeito deles, não quer necessariamente dizer que estejam imundos, podres e a cair aos bocados!
Foi numa dessas incursões que achei esta mala-faqueiro, uma das tais que as avós de há alguns anos insistiam em incluir nos enxovais das netas.


Agora que a necessidade bateu à porta, lembrei-me dela e dei-lhe uma nova cara. Com uma tira de tecido plastificado (que sobrou da mesa) forrei o exterior e com cartolina às riscas, a parte de dentro.



Foi o trabalho intenso de dois serões, mas valeu a pena pois fiquei satisfeita com o re-made. Cabe lá imensa miudeza, que assim já não tem desculpa para andar espalhada por aqui e por ali...E quando não preciso da ferramenta,  fecho a tampa e a gaveta e fica o assunto arrumado!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Galinhas em greve?


A democracia pode não ser um sistema perfeito, mas estou crente que é o melhor a que a humanidade pode, por enquanto, aspirar. E se numa organização democrática há deveres a cumprir, também há constantemente direitos a reinvindicar, em última instância, através do recurso à greve.
Pois foi exactamente isso, que pensei que estava a acontecer no galinheiro: há dois ou três dias que não encontrava nenhum ovo, logo as galinhas estariam de GREVE!
Imaginava lá eu porquê!
Já reparei que existem regras de capoeira, "relações sociais" entre elas, com o chefe galo e com a patroa (eu!) que lhes enche o papo; mas como ainda sou incapaz de descrutinar o significado de certos cacarejares, desde logo me resignei com a suposta paralisação...até que hoje, num montão de palha de milho, num esconderijo  muito bem camuflado, fui dar com isto!


Ainda bem que não há queixas do patronato!


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Omelete de urtigas

Elas têm muito má fama e são tidas pela maioria como "erva daninha". No entanto, já desde a Idade Média que são utilizadas na culinária escocesa e aquele seu famoso defeito: Ui que picam! é insignificante face às suas propriedades benéficas.
As folhas das urtigas têm um elevado teor de clorofila e ferro, benéficos para o nosso sangue, sendo anti-anémicas,diuréticas e desintoxicantes do organismo.

Felizmente, com a descida da temperatura e  o aumento da humidade, as urtigas renasceram e  hoje apanhei um molho para fazer esta omelete.


Cortei a parte inferior dos caules e mergulhei-as 2 min. em água quente (deixam logo de picar!). Frigi-as num pouco de azeite e por cima verti a mistura de ovos batidos com pão esfarelado. Fritei de ambos os lados e em pouco tempo o jantar ficou pronto!

Podem usar-se tal qual como os espinafres, cozem muito rapidamente e são grátis! Tenha apenas cuidado com o asseio da zona onde crescem.
Uma vez contei a alguém que as usava na sopa e prontamente comentaram que era "comida  de bruxa"...portanto use e abuse das urtigas, mas conte com o preconceito!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ano novo, mesa nova


Como não encontrava à venda nenhuma mesa que me enchesse o olho e não me esvaziasse a carteira, decidi, eu mesma, meter mãos à obra!
Primeiro comprei um par de cavaletes e pintei-os de branco. Dei mais umas voltas e consegui encontrar uma tábua resistente, exactamente com as dimensões pretendidas. À trincha, passei duas de mãos de verniz para fazer frente à humidade e a algum bichinho mais atrevido. Deixei secar bem.
Na dispensa encontrei uma película plástica, com a qual forrei a tábua para proteger de amolgadelas e numa visita ao IKEA, descobri este "pintarolas". É tecido plastificado à prova de descuidos e  de patas de cão mal educado!
À minha maneira, é esta a nova mesa de trabalho que uma pessoa só, facilmente monta ou desmonta...E quem sabe se também não há-de servir para um almoço primaveril ao ar livre?!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Noite velha, noite nova


Pela primeira vez desde que vivemos no Alentejo, decidimos sair de casa na passagem de ano.
Na região, a oferta de festejos não abundava e  como pessoalmente não me enche o olho esbanjar grandes quantias numa GRANDE ceia regada a champanhe, depressa optámos por passar la nochevieja em Badajoz, onde provavelmente, a festa seria mais espontânea.


Abençoados por uma noite de Inverno amena, passeámos por El Casco Antigo -zona histórica e comercial (tudo deserto e cerrado evidentemente!)-, subimos até à Plaza Alta (vazia!), atravessámos a ponte de pedra sobre o Guadiana, mas de  la movida nem sinal. Por sorte lá demos com um sítio para jantar,  numa mesa ao lado de um grupo de...Portugueses, o que é que se  esperava ?!
Faltaria cerca de um quarto de hora para a meia-noite quando nuestros hermanos  começaram a sair das suas tocas, de saco plástico na mão, encaminhando-se para el ayuntamiento. Ao som das doze campanadas havia gente por toda a praça e fogo de artifício no ar. Dos sacos sacaram o champanhe, as latas de uvas em conserva e a maioria não se fez rogada a um pézinho de dança! ...Nem nós!


Havia gente com amigos, gente sózinha, acompanhada pelo cão ou que tinha vindo em família. Gente vestida a rigor e outros pouco aprimorados. Novos e velhos, ali estávamos a celebrar o Tempo, que inexoravelmente nos empurra para a frente, sempre e a todos por igual!